No próximo 17 de julho Baixa Grande completa 133 anos, e farei algumas homenagens contando a história de seus filhos ilustres. No nosso singelo livro poemas sertanejos destaco figuras que fizeram história nesta terra.

Hoje vou falar um pouco, de meu pai, MIMI. Este chegou em Baixa Grande quando criança, trazido pelo caminhão do senhor Oldack Miranda, chamado Piaba. Mimi foi trabalhar um tempo com o coronel Bianor, junto com Juraci de Roserval e Osvaldo Vieira,a pedido deste a seus pais Lourdes e Daniel.Eles cuidavam dos galos de raça do senhor Bianor.

Desde criança trabalhava, vendendo cocada nas corridas e fazendo mandados para o senhor Bianor. Aprendeu a dirigir e virou motorista do Jeep de Bianor. Logo depois foi trabalhar com o senhor Valdomiro Oliveira, comerciante em Baixa Grande.Depois foi porteiro da prefeitura no período de Milton Ribeiro.

Seus pais, Lourdes e Daniel, moravam no Balaio, zona rural de Baixa Grande, e tinha nove filhos, tendo logo cedo cada um que tomar um destino de trabalho fora de Baixa Grande.
O mais velho Ubiratan foi para São Paulo, onde se tornou jornalista e diretor da folha de São Paulo, sendo Preso na ditadura Militar. Este levou os irmãos para São Paulo, e nos idos de 60 Mimi foi trabalhar em uma fábrica de bicicletas, morando junto com seu irmão Vandinho e sua esposa Joelza.

Regressa a Baixa Grande em 1965 , quando todos de sua família, foram embora de Baixa Grande. Conhece Maria Helena, a mulher que o encaminhou para a vida e a Politica. Foi trabalhar como motorista da Rural do senhor Leonel Soares. Em 1969 deixou o trabalho com o senhor Leonel e comprou um caminhão financiado pelo senhor Balbino Pamponet.

Em 1972 foi candidato a vereador sendo eleito como o mais votado a época.

Em 1976, em uma disputa das famílias tradicionais para escolher o vice-prefeito de Evandro Miranda, Mimi acaba sendo escolhido por acaso, por ter a simpatia de todos os segmentos políticos a época, e não possuir inimizade com nenhum grupo.

Em 1982, Mimi sai candidato a prefeito junto com Amado, enfrentando o Médico Heraldo Miranda, com o apoio do então Prefeito Evandro Miranda. Perde as eleições, mas tem votação expressiva.

Apoia em 1986 o candidato Waldir Pires para o governo da Bahia, e sai vitorioso. Alia-se ao Prefeito Heraldo que o apoia nas eleições de 1988. De porteiro da prefeitura torna-se o primeiro prefeito de Baixa Grande, que não pertencia as família tradicionais da cidade.
Em 1992 apoia Heraldo para Prefeito contra Evandro Miranda e Amado, ganhando as eleições com uma apertada votação.

No ano de 1996, rompe com o prefeito Heraldo que apoia Amado para Prefeito. Mimi se candidata sozinho contra os demais grupos, perdendo a eleição para Amado neste ano.
No ano 2000 candidata-se com o apoio do povo, o vice Márcio e segmentos do comércio, ganhando então as eleições para Heraldo. Em 2004 Mimi sai como primeiro prefeito candidata a reeleição, e perde as eleições para Gilvan Rios. Nesta ocasião saíram três candidatos, Mimi, Heraldo e Gilvan.

Mimi prossegue na política sempre tendo como baluarte a sua esposa Maria Helena, que era mais política que o mesmo. Em 2008, pela primeira vez Mimi não sai candidato em uma eleição, apoiando então a reeleição de Gilvan, que ganha de Heraldo neste ano.
Em 2012 Mimi apoia a eleição de Pedro Lima Neto, junto com o vice Dr. Gustavo, ganhando as eleições para Dr Heraldo.

E nas eleições de 2016, depois de mais de 20 anos separado do prefeito Heraldo, volta a ser candidato como vice-prefeito de Heraldo, ganhando as eleições de Gilvan Rios e Pedro Lima Neto neste ano. Mimi torna-se uma figura popular e querida na política de Baixa Grande. De ideias consideradas de Direita, mas com práticas que se coadunam com o que se preconiza na suposta ideologia de esquerda.

Vive com simplicidade, em um Fiat Uno do antigo, o qual nunca trocou. Quando prefeito foi para Brasília em um uno e disse certa vez que não podia comprar um carro de luxo, vendo tanta pobreza na sua terra.

Mimi dedica sua vida a política, a sua grande paixão, e sofreu um imenso abalo em 2017 junto com sua família com a morte de sua esposa Maria Helena, a mulher que foi capaz de tornar Mimi um político próspero em Baixa Grande. Ela foi à razão de Mimi se tornar de porteiro a Prefeito. Ao seu lado Mimi adquiriu credibilidade e confiança, nas pessoas, organizou a sua vida em todos os aspectos.

Maria Helena foi maior política que Mimi, e nunca desejou cargos políticos, mas amava o que fazia pelas pessoas, principalmente na saúde, em que levava os baixa-grandenses para sua casa em Salvador cuidando com todo amor e compaixão.

Essa é um pouco da história de MIMI, e como diz o adágio popular, ao lado de todo grande homem tem uma mulher maior ainda.

Por Bruno Pamponet Kuhn Pereira